sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A Paixão de Jesus Cristo e os Divertimentos do Carnaval.

Meditação de Santo Afonso Maria de Ligório



Consummabuntur omnia, quae scripta sunt per Prophetas de filio hominis – “Será cumprido tudo o que está escrito pelos profetas, tocante ao Filho do homem” (Luc. 18, 31).

Sumário. Não é sem uma razão mística que a Igreja propõe hoje à nossa meditação Jesus Cristo predizendo a sua dolorosa Paixão. A nossa boa Mãe deseja que nós, seus filhos, nos unamos a ela, para compadecermos do seu divino Esposo, e o consolarmos com os nossos obséquios, ao passo que os pecadores, nestes dias mais do que em outros tempos, lhe renovam todos os ultrajes descritos no Evangelho. Quer ela também que roguemos pela conversão de tantos infelizes, nossos irmãos. Não temos por ventura bastantes motivos para isso?


I. Não é sem razão mística que a Igreja propõe hoje à nossa meditação Jesus Cristo predizendo a sua dolorosa Paixão. Deseja a nossa boa Mãe que nós, seus filhos, nos unamos a ela na compaixão de seu divino Esposo, e o consolemos com os nossos obséquios; porquanto os pecadores, nestes dias mais do que em outros tempos, lhe renovam os ultrajes descritos no Evangelho.

Tradetur gentibus – “Ele vai ser entregue aos gentios”. Nestes tristes dias os cristãos, e quiçá entre eles alguns dos mais favorecidos, trairão, como Judas, o seu divino Mestre e o entregarão nas mãos do demônio. Eles o trairão, já não às ocultas, senão nas praças e vias públicas, fazendo ostentação de sua traição! Eles o trairão, não por trinta dinheiros, mas por coisas mais vis ainda: pela satisfação de uma paixão, por um torpe prazer, por um divertimento momentâneo!


Illudetur, flagellabitur et conspuetur – “Ele será mortejado, flagelado e coberto de escarros”. Uma das baixezas mais infames que Jesus Cristo sofreu em sua Paixão, foi que os soldados lhe vendaram os olhos e, como se ele nada visse, o cobriram de escarros, e lhe deram bofetadas, dizendo: Profetiza agora, Cristo, quem te bateu? Ah, meu Senhor! Quantas vezes esses mesmos ignominiosos tormentos não Vos são de novo infligidos nestes dias de extravagância diabólica? Pessoas que se cobrem o rosto com uma máscara, como se Deus assim não pudesse reconhecê-las, não têm pejo de vomitar em qualquer parte palavras obscenas, cantigas licenciosas, até blasfêmias execráveis contra Santo Nome de Deus! – Et postquam flagellaverint, occident eum – “Depois de o terem açoitado, o farão morrer”. Sim, pois se, segundo a palavra do Apóstolo, cada pecado é uma renovação da crucifixão do Filho de Deus, ah! Nestes dias Jesus será crucificado centenas e milhares de vezes.


É exatamente isto que Jesus Cristo quis dizer a Santa Gertrudes aparecendo-lhe num domingo de Qüinquagésima, todo coberto de sangue, com as carnes rasgadas, na atitude do Ecce Homo, e com dois algozes ao lado, os quais lhe apertavam a coroa de espinhos e o batiam sem piedade. Ah! Meu pobre Senhor!

II. Refere o Evangelho em seguida, que, aproximando-se Jesus de Jericó, um cego estava sentado à beira da estrada e pedia esmolas. Ouvindo passar a multidão, perguntou o que era. Sabendo que passava Jesus de Nazaré, apesar de a gente o ralhar, afim de que se calasse, não cessava de gritar: Jesus, Filho de Davi, tende piedade de mim (1). Por isso mereceu que, em recompensa de sua fé, o Senhor lhe restituísse a vista: Fides tua te salvum fecit – “A tua fé te valeu”.


Se quisermos agradar ao Senhor, eis aí o que também nós devemos fazer. Imitemos a fé daquele pobre cego, e neste tempo de desenfreada licença, enquanto os outros só pensam em se divertir com prazeres mundanos, procuremos estar, mais que de ordinário, diante do Santíssimo Sacramento. Não nos importemos com os escárnios do mundo, lembrando-nos do que diz São Pedro Crisólogo. Qui iocari voluerit cum diabolo, non poterit gaudere cum Christo – “Quem quiser brincar com o demônio, não poderá gozar com Cristo”. Quando nos acharmos em presença de Jesus no tabernáculo, peçamos-lhe luz para detestarmos as ofensas que o magoam tão profundamente. Peçamos-lhe não somente para nós mesmos, senão também para tantos irmãos nossos desviados: Domine, ut videam – “Senhor, fazei-me ver”.


Amabilíssimo Jesus, Vós que sobre a cruz perdoastes aos que Vos crucificaram, e desculpastes o seu horrendo pecado perante o vosso pai, tende piedade de tantos infelizes que, seduzidos pelo Espírito da mentira, e com o riso nos lábios, vão neste tempo de falso prazer e de dissipação escandalosa, correndo para a sua perdição. Ah! Pelos merecimentos de vosso divino sangue, não os abandoneis, assim como mereceriam, Reservai-lhes um dia de misericórdia, em que cheguem a reconhecer o mal que fazem e a converter-se. – Protegei-me sempre com a vossa poderosa mão, afim de que não me deixe seduzir no meio de tantos escândalos e não venha a ofender-Vos novamente. Fazei que eu me aplique tanto mais aos exercícios de devoção, quanto estes são mais esquecidos pelos iludidos filhos do mundo. “Atendei, Senhor, benigno às minhas preces, e soltando-me das cadeias do pecado, preservai-me de toda a adversidade.”(2) + Doce Coração de Maria, sêde minha salvação.

1. Luc. 18, 38.
2. Or. Dom. curr.
 
(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 279 - 282.)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

154 Anos das Aparições de Lourdes

Em 2012 queremos colocar o Rosário à luz de Bernadete, à luz que envolveu a Mãe de Deus durante as aparições, que é a luz que Deus nos dá para colocar os pés nas pegadas de seu Filho.

"Ouvi um barulho como uma rajada de vento" é como descreve Bernadete quando as aparições começaram.Os primeiros eventos que são a base do que hoje é Lourdes. Como o dia de Pentecostes, os apóstolos, o Espírito Santo é dado a Bernadete para ela contemplar, interiorizar participar e testemunhar o mistério da salvação para toda a humanidade.

Nesta abordagem, Maria, a Mãe de Deus, se transforma para essa menina  numa verdadeira mestra de vida espiritual. Por sua presença, suas palavras e gestos, que irá introduzir Bernadette, pouco a pouco, na contemplação do mistério de seu Filho, Redentor do mundo.

O segredo dessa "pedagogia mariana" é o primeiro na aceitação mútua que essas duas virgens, Maria e Bernadete, se dão uma à outra. Ao acolher Maria, Bernadette recebe de Cristo: "E por que é dado que venha a mim a mãe do meu Senhor?" (Lc.1, 42) Em sua hospedagem Bernadette aceita a Cristo: "Tudo o que fizerdes a um destes pequeninos, é a mim que que o fazes" (Mt.25, 40). O selo desta aliança, este encontro e esta amizade será o sinal da Cruz. "O sinal da cruz é uma espécie de síntese da nossa fé." (Bento XVI, 14 de setembro de 2008).

O outro segredo do "Via Mariae" será rezar o terço, porque vai ser como apoio para as aparições. Apoio, em primeiro lugar educacional para todas as orações conhecidas por Bernadette, que estão contidas nesta devoção tradicional da Igreja. E então, apoio espiritual, porque é por esta simples oração e acessível que os cristãos podem contemplar o desdobramento dos mistérios da vida de Cristo. Na verdade, o que Maria diz e compartilha com Bernadette é a sua própria experiência como discípula de Cristo, sua própria experiência de vida cristã. "As memórias de Jesus, impressionado com seu coração, foram acompanhadas em todos os momentos ... e são essas memórias que, em certo sentido, constituíram o" rosário ", que ela recitou constantemente ao longo dos dias da sua vida terrena "(João Paulo II, Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae n º 11, de 2002).

Assim, Maria, mestra de vida espiritual dirige-se à hospedeira, filha de Maria, filha do Pai e discípula de Cristo, para inaugurar e abrir a porta desta "escola de oração" bonita que é dada a Lourdes desde 154 anos. Ao recitar o rosário, como agora, milhões de peregrinos, seja no santuário ou em outro lugar, seja pelos meios de comunicação diferentes, continuam a aprender e tomar posse das riquezas insondáveis ​​do mistério de Cristo.

Tendo em conta a boa tradição estabelecida para um número de anos, este texto básico quer ajudar os peregrinos a viver quatro dias de peregrinação intensa. Para esses quatro dias, os mistérios do Rosário pode guiar-nos, com uma série de mistérios por dia, e independentemente da ordem cronológica, mas pastoral: a alegre, triste, glorioso e brilhante e que se refletem na aparência e mensagem de Lourdes.

A "Mensagem de Lourdes" evoca os gestos e as palavras trocadas entre a Santíssima Virgem Maria e Bernadette na gruta de Massabielle em dezoito aparições. Esta mensagem pode ser resumida da seguinte forma: Deus é amor e Ele nos ama como somos.

 
"Je suis l'Immaculée Conception". 
 
"Eu sou a imaculada Conceição. Estas foram as palavras de  Nossa Senhora no hitórico dia 25 março de 1858, no décimo sexto dia da aparição, Bernadete foi à gruta onde, por iniciativa do Padre Peyramale, pároco de Lourdes, ela perguntou: "Senhora, poderia dizer seu nome?". Bernadette fez a pergunta por três vezes consecutivas. Na quarta petição, "a Senhora", respondeu em dialeto: ""Je suis l'Immaculée Conception". ",que significa em francês "Eu sou a Imaculada Conceição". Bernadette não soube compreender imediatamente o significado dessa palavra. A Imaculada Conceição, como a Igreja ensina, é "Maria concebida sem pecado, pelos méritos da Cruz de Cristo" (definição do dogma promulgado em 1854). Bernadette dirigiu-se imediatamente ao pároco para enviar-lhe o nome "La Dame". Ele entende que esta é a Mãe de Deus, que lhe apareceu na gruta. Mais tarde, o Bispo de Tarbes, Monsenhor Laurence, autenticou esta revelação.

Ratificada a mensagem - Quando a senhora disse que seu nome -  após três semanas de aparições e três semanas de silêncio (de 4 de março a 25). 25 de março é a festa da Anunciação, a "concepção" de Jesus no ventre de Maria. A Senhora da gruta disse ser essa a sua vocação: Ela é a mãe de Jesus, que foi concecido em seu ser, sendo Ele Filho de Deus...é toda para Ele. 

Bernadete é pura, habitada por Deus. Assim, a Igreja e todos os cristãos crêem que ela viveu para Deus, tornando-se intocada, completamente perdoada e perdoou, de modo a ser, também, testemunha de Deus. Este será o papel de Bernadette. 7 de abril, data próxima aparição, quando a chama da vela se vai por entre os dedos sem se queimar. Ele se torna transparente à luz, também pode liberar a luz de Deus. Maria diz que ela é o que devemos nos tornar. O dia de sua Primeira Comunhão (03 de junho de 1858), Bernadette estende essa experiência em um com o dom de Deus.


Textos dos Padres Horacio Brito e Kemseke Marc

Fonte : Santuário de Lourdes - França
11 de Fevereiro de 2012
Extraido e traduzido de : http://fr.lourdes-france.org/approfondir/le-message-de-lourdes

Quem são os carmelitas

A Venerável Ordem Terceira do Carmo (ou chamada Ordem dos Terceiros Carmelitas) é um ramo da Ordem do Carmo composto pelo grupo de membros leigos dos Carmelitas da Antiga Observância, os quais encontram-se sempre unidos em comunhão espiritual e fraterna com os frades contemplativos e com as freiras de clausura da sua ordem religiosa.


A Ordem Terceira do Carmo usufrui do carisma carmelita primitivo da Antiga Observância, ainda que partilhe a riqueza espiritual do ramo reformado por Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz.


A instituição da Ordem Terceira do Carmo, depois também chamada de Venerável (devido ao fato de se tratar da maior ordem religiosa mariana), remonta ao tempo de São Simão Stock que, além de ter sido um importante instrumento na expansão da Ordem do Carmo, foi quem recebeu das mãos de Nossa Senhora o Escapulário, sob a promessa das graças que concedidas aos seus confrades que o usassem com devoção.


Nossa Senhora anunciou-lhe: "Meu filho muito amado: eis o escapulário que será o distintivo da minha Ordem. Aceita-o como um penhor de privilégio, que alcancei para ti e para todos os membros da Ordem do Carmo. Aquele que morrer vestido deste escapulário, estará livre do fogo do inferno". A partir daí, São Simão Sotck passou a difundir, com toda a sua dedicação, esta piedosa devoção mariana pelo mundo inteiro, tendo inclusive sido ele que extendeu a devoção do do Escapulário aos leigos, e obtido, por parte da Rainha Celestial, especial proteção na fundação da confraria de Nossa Senhora do Carmo (no ano de 1251), acolhendo também os devotos leigos que passaram a participar dos grandes privilégios inerentes ao Escapulário.


O Beato João Soreth foi quem instituiu os conventos femininos das Irmãs Carmelitas de clausura e da própria Ordem Terceira do Carmo . Na realidade, tal deve-se ao fato de que, em meados do século XV, apesar dessas comunidades religiosas já existirem, estas viviam sem Regra definida e foi ele quem deu-lhes a devida forma canónica. Foi o Beato João Soreth quem, na primeira pessoa, empreendeu todos os esforços necessários e obteve do Papa a aprovação dos estatutos legais e o reconhecimento da Ordem das Irmãs Carmelitas de clausura e da Ordem Terceira do Carmo (sendo esta última composta maioritariamente por homens e mulheres leigos, mas que estão ligados espiritualmente, e de modo bastante particular, aos restantes membros da Ordem do Carmo).